
Deixa-nos perplexos os inúmeros sinais de violência que perpassam o imaginário social. Incontáveis irmãos nossos são vítimas desta estrutura perversa vigente. Nestes últimos dias recebemos a triste notícia do assassinato do padre Rubens, grande amigo, sacerdote fiel. Uma frase caracteriza a sua existência e o seu ministério: "passou fazendo o bem!"
Tive a alegria de conviver com este grande irmão no sacerdócio. Estudamos no seminário São José, em Mariana. Pude também acompanhar o seu estágio pastoral, por um período de dois anos, em Cachoeira do Campo. Sua humildade e alegria a todos envolvia. Sabia integrar muito bem os momentos de diversão com os trabalhos pastorais.
Durante todo este período de convivência nunca demonstrou sinais de irritabilidade. Sempre pacífico e sereno, porém, compromissado com a verdade. Nem mesmo as nossas diferenças no universo do futebol foram elementos de divergências. Ele torcendo para o São Paulo e eu com o meu flazeiro (uma mistura de sentimentos flamengo e cruzeiro).
Padre Rubens por onde passou foi deixando marcas de uma autêntica amizade. Não escondia o carinho e a gratidão pela Arquidiocese de Mariana. Quando vinha à Mariana arrumava uma maneira de passar em Cachoeira do Campo para rever os amigos.
O dinamismo pastoral da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré nunca tirou a alegria e a vontade de trabalhar. Ele e o padre Vander Sebastião eram muito queridos por todos, formando assim uma verdadeira "dupla dinâmica". São inúmeras as situações bonitas, algumas tristes e até engraçadas que marcaram o estágio pastoral do padre Rubens na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré.
Resta-nos agradecer a Deus pelo pouco tempo, mas intensamente experienciado junto a este nosso grande amigo e irmão. Consola-nos a certeza da Ressurreição. Que o prefácio dos Fiéis Defuntos seja a nossa inspiração e conforto neste momento de dor: "Em Cristo brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola..."
Aos familiares deste nosso grande amigo, nossa união em preces orantes.
Apesar da forma trágica com que lhe ceifaram a vida, as boas açõe e a alegria deste homem de fé, sempre perpetuará nos corações daqueles que o conheceu. Parabéns pelo artigo, pe. José Afonso!
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