sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O DÍZIMO É PASTORAL E NÃO CAMPANHA FINANCEIRA



O Dízimo deve ser visto como opção pastoral permanente, não como campanha financeira temporária. "O sistema do dízimo parece pastoralmente rico, portanto, enquanto sistema de contribuição: a) sistemática (mensal, por exemplo) : b) de compromisso moral com a comunidade (não jurídico); c) fixado de acordo com a consciência formada de cada um (sem índice aritmético)" (Estudo da CNBB, nº8, pág.51). Dízimo não é promoção para ganhar mais dinheiro para a Igreja. É um grande erro entender o dízimo como fórmula para solucionar problemas econômico-financeiros da paróquia ou diocese.

O Dízimo é uma expressão de fé daquele que participa da comunidade eclesial. É uma maenira de tornar a comunidade independente daquelas pessoas que não se encontram inseridas na vida comunitária. O Dízimo elimina os privilégios e estabelece a igualdade entre os membros que a edificam. O Dízimo é expressão de fé amadurecida; é uma contribuição livre e espontânea que emerge do amor comunitário em prol da evangelização.

O Dízimo cria entre os fiéis a consciência de Igreja e desperta em cada pessoa o compromisso com a vida comunitária. A Igreja é a nossa família, ou seja, a família dos filhos de Deus. Pelo batismo somos inseridos nessa família. Como qualquer outra família, a Igreja precisa da participação de todos os seus membros. Não é suficiente dizer que é Igreja só pelo fato de ter recebido os sacramentos e participar das missas, sem inserção comunitária. Nós somos Igreja na medida em que participamos e colaboramos com ela. O Dízimo é sinal visível de nossa participação na vida da Igreja.

Importante salientar que a primeira finalidade da pastoral do Dízimo é criar na comunidade cristã a "consciência de Igreja", tendo em vista a evangelização. Os frutos desta conscientização e da participação na vida eclesial são os recursos materiais que possibilitam a Igreja cumprir a sua missão. Várias pessoas ignoram totalmente esta primeira finalidade do dízimo, inclusive padres e lideranças leigas. Em muitas comunidades prevalece uma visão economista do dízimo. Para superar esta compreensão errônea sobre o dízimo necessita-se de uma contínua e profunda formação da consciência. "Isto coloca a restauração do sistema do dízimo, para ser realmente pastoral, na linha de uma constante formação da consciência. É só através disso que o cristão não verá a sua liberdade constrangida e descobrirá seu ato de contribuir dignificado dentre de uma dimensão religiosa" (Estudo da CNBB, nº8, Pág.53).

Aproveitando o contexto do Ano Sacredotal que traz como tema "Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote", é importante ressaltar que o padre, sobretudo aquele que exerce funções mais diretamente ligadas ao contexto paroquial, poderá contribuir muito significativamente para este trabalho de formação de consciência. Porém, todo este trabalho de consciêntização não pode ficar somente sob a responsabilidade do padre. Tudo deve ser realizado em sintonia com as lideranças que atuam na pastoral do dízimo, pois já nos diz a canção "sozinho e isolado ningué é capaz".


Pe. José Afonso de Lemos
Artigo / Dízimo-mês de Julho/2009.

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